Grande ensaio sobre a máquina de escrever
uma lista de Ariel Luppino

Segundo Laiseca, Marcelo Fox morreu decapitado pelo trem da Companhia Ferroviária Mitre na Estação Belgrano.
A partir desse fato pude tirar uma série de conclusões.
1. Os textos não são escritos com ideias, mas com frases: primeiro uma, depois outra e assim por diante.
2. Há uma lógica do fora e há uma lógica do dentro, mas não se pode compreender o dentro com a lógica do fora. Em sua maioria, os problemas literários são problemas topológicos.
3. Existe uma concepção da escritura que é de ordem composicional. Não se trata de pensar a escritura como música, mas de entender que ambas são expressões formais.
4. A palavra “literatura” não permite pensar a escritura.
5. O fim da literatura não é mais que o fim de certa concepção ambígua e difusa da escritura.
6. Escrever não se reduz a narrar ou a contar.
7. Não é possível sustentar ideologicamente o que não funciona em termos formais.
8. Um texto nunca conta uma história, mas maneiras de contar.
9. O autor não morreu: é preciso decapitá-lo.
10. Só há a escritura. Nunca houve outra coisa.
11. Não se escreve um texto para ser entendido, mas para ser afetado por uma forma.
12. Deveríamos deixar de falar da escritura para começarmos a falar das escrituras.
13. A palavra “reler” deveria ser proibida: nunca “já” lemos um texto.
14. O que se explica está perdido: não há nada que explicar. Que entenda quem puder!
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Ariel Luppino nasceu em 1985, em Monte Grande, Argentina. Dono de um projeto singular e proliferativo, publicou novelas, ensaios e relatos.
O texto acima é um fragmento de A outra vida (2024), traduzido por Joca Reiners Terron e publicado pela editora Numa.
Consulte a página de Ariel Luppino no acervo de MUTUM
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