Terminais
Um poema inédito de Paulo Henriques Britto

1.
Tão natural quanto qualquer começo é o fim.
Querer ter um sem ter o outro é natural
também. Porém o mundo não funciona assim.
É uma lição difícil de aprender,
por mais que se repita. E no final
das contas, não se trata de entender
algo complexo, propriamente,
mas de aceitar, de bom ou mau
grado, uma coisa que se sente
no fundo, ainda que não
se assuma, um certo mal-
-estar ou sensação —
inconfessável,
mas afinal
irrevogável —
de que algo
vai mal.
*
Paulo Henriques Britto nasceu em 1951, no Rio de Janeiro. Poeta, tradutor e professor, é uma das vozes centrais da poesia brasileira contemporânea, conhecido pelo rigor formal e pela reflexão crítica sobre a própria escrita. Vive no Rio.
Este é primeiro poema da série “Terminais”, a mais longa de Embora, livro que será publicado em março de 2026 pela Companhia das Letras.
Consulte a página de Paulo Henriques Britto no acervo de MUTUM
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